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6 de março de 2026

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Tenshi no Uta - Uma História de Amor e Tragédia


Cosmic Fantasy 2 foi uma experiência tão desagradável que eu peguei um certo desgosto da Telenet Japan, mais especificamente da Laser Soft. 


Foi então que, antes de ser coagido à fazer análises da franquia toda, eu decidi por dar uma desviada no caminho e experimentar outro jogo. 

Só tem um pequeno detalhe, esse jogo também é da Telenet Japan… 


Será que eu deveria ter feito isso? Confesso que um pequeno detalhe foi o que me motivou a jogar esse jogo, mesmo ele sendo da Telenet Japan e eu estar correndo risco de encarar outro Cosmic Fantasy 2 disfarçado. 


Vamos ver então se Tenshi no Uta valeu a pena? Clica ai em CONTINUE LENDO e bora



Dentro de muitas empresas grandes que trabalham com jogos é bem comum encontrar equipes ou estúdios separados para se trabalhar em mais de um projeto. Com a Telenet Japan isso não era diferente, porém a empresa via esses grupos como uma espécie de subsidiária, com nomes próprios e até com os logos nas capas e dentro dos jogos.


Logo da Riot

Além da Laser Soft que tinha o foco em publicar jogos em CD-ROM no PC Engine e foi de onde se originou os Cosmic Fantasy, tínhamos outros nomes. O mais famoso talvez seja o Wolf Team, que para quem conhece um pouco mais sobre a história e desenvolvimento de jogos, foi quem produziu Tales of Phantasia para a Namco e eventualmente se tornou o Namco Tales Studio, fora fundar a tri-Ace que nos deu títulos como Star Ocean e Valkyrie Profile. 

Mas não é nem da Laser Soft e nem do Wolf Team que eu quero falar nesse texto, meu foco vai para a RIOT, um dos muitos estúdios que desenvolveu jogos na Telenet Japan e que foi fundado em 1991. 

Fundado com o propósito não só de criar jogos originais mas também trabalhar em ports de jogos para os consoles da época, eles trabalharam até meados de 1994, quando a equipe se desfez e vários membros foram integrados ao Wolf Team. Mas voltemos ao ano de fundação do estúdio, porque foi em 25 de outubro desse mesmo ano que o jogo tema do artigo foi lançado. 


Capa do jogo

Exclusivo do mercado japonês e fazendo uso do PC Engine Super CD-ROM² chegava ao mercado Tenshi no Uta. 

O jogo mistura mitologia celta, uma Inglaterra fictícia pré cristianismo, uma história de amor, sacrifício e tragédias. Mas um único fator que me fez decidir por jogar o jogo. E ele está no time de produção. Vários membros da Riot que trabalharam no jogo após o fim da Riot e a integração com o Wolf Team deixaram a Telenet Japan e fundaram a Media Vision, empresa responsável por desenvolver Wild Arms, um dos meus RPGs favoritos do Playstation. Isso é claro inclui os criadores e a compositora do jogo da Sony…. precisava de mais? 


UMA BOA HISTÓRIA FAZ UM BOM JOGO? 


Boa parte do manual do jogo é dedicada a contar sobre a lore

O mundo de Tenshi no Uta se divide em 3 planos. O celestial, o terrestre e o submundo. 

No passado os anjos desceram dos céus e lutaram contra Lúcifer e seus exércitos, selando ele no submundo. Após a batalha os anjos retornaram aos céus porém deixaram os monstros no plano terrestre junto dos humanos e assim tem sido desde sempre. 

É nesse mundo que tomamos o controle do jovem Kear, no vilarejo de Roscommon. Acordamos atrasados no nosso grande dia, mas que dia é esse? O início da jornada que devemos fazer junto de nossa noiva Claire, a filha do ancião do vilarejo. O destino é colher a flor de Eureka e levar ao castelo de Cork para receber a benção do rei e nos unir em matrimônio. 

Mas o destino prega peças, a nossa felicidade durou pouco. Próximos do nosso destino somos atacados por um monstro voador, ele leva a Claire e nos deixa para morrer. Quando voltamos à si, estamos sozinhos e nossa jornada agora é para resgatar nossa amada… e muito mais, porém você vai ter que ir jogar se quiser saber o que acontece. 


A alegria de quem vai se casar em breve

Passando para o elenco principal, temos 5 personagens jogáveis, podemos inclusive ter todos eles em combate simultaneamente, algo bem diferente, muitos jogos da época limitavam o número em 3 ou 4. Vamos então conhecer um pouco do elenco. 


Kear: O nosso protagonista aqui. Pobre Kear, o que deveria ser um dia feliz se tornou em tragédia. Temos aqui o protagonista modelo. Apesar de tudo o que está acontecendo na vida dele, ele não deixa de ajudar as pessoas. Ele tem um bom coração… talvez seja esse o motivo da Claire ter se apaixonado por ele. 

Em termos de gameplay temos um bom personagem, com excelentes atributos e ainda pode usar boas magias o que ajuda muito. 


Claire: Cresceu junto do Kear no vilarejo de Roscommon, acabaram se apaixonando e decidiram se casar. Infelizmente o destino fez com que os dois fossem separados e ela foi raptada por monstros. Apesar de ser a nossa “donzela em apuros” Claire tem muito mais importância na história do que aparenta no início. Mas não vamos dar spoilers, não é? 

Claire não possui muita força física, mas em termos de usar magias ela tem um belo de um repertório. Magias de cura excelentes e muito dano com magias de ataque. 


Buzen: Um velho praticante de magia e artes druidas, Buzen se junta à nossa busca pela Claire à pedido do rei de Cork. Inicialmente ele é quem nos pede ajuda para acalmar o deus dos mares Mananan. Buzen tem sabedoria e uma língua afiada. Se fosse mulher provavelmente seria a Dercy Gonçalves kkkkkkkkkkkkkkkkkk… apesar disso é ele quem mantém os jovens na linha em vários momentos. 

Do ponto de vista do gameplay temos um excelente mago, mas com bons atributos físicos também, dá pra tirar um dano satisfatório com as pancadas que ele dá…. fora o fato de ele ter a maior quantidade de MP da party então dá pra usar magia com gosto. 


Jito: Extremamente habilidoso com uma espada, ele é bem conhecido por sua força e técnica. Assim como Kear, ele teve a esposa sequestrada por monstros e está em busca do paradeiro dela. À princípio ele se recusa a nos ajudar na busca pela Claire, porém mais tarde ele decide se juntar à nós. 

No meio de tanto mago na party, Jito é o único personagem que não usa magia, nem mesmo tem MP, porém é o único capaz de empunhar algumas das mais poderosas espadas do jogo, e isso é evidente, o cara derrete o HP dos inimigos a cada turno que ele ataca. Curioso que nem mesmo o Kear sendo o protagonista ele consegue equipar as melhores espadas que o Jito consegue. 


Enya: A última personagem a entrar na party e a mais jovem do elenco principal. Descendente dos Kelt, ela vive com o avô em um vilarejo da tribo. É graças a ela e suas habilidades que conseguimos de fato resgatar a Claire e também é por ela que aprendemos mais sobre a realidade do mundo. Dentro do grupo em muitos pontos ela serve como alívio cômico, mas temos muito mais com ela do que simplesmente uma menina alegre. 

Em combate ela é semelhante à Claire nos atributos porém suas magias são mais focadas no ataque e no suporte, o que ajuda muito, aumentar o ataque dos que batem forte ajuda muito. 


Além do elenco principal temos lá um tanto de NPCs que tem uma importância a mais na trama, normal de qualquer RPG. Mas o destaque aqui vai para algo que não deveria ser visto como NPC. O save point do jogo é representado por mulheres que ficam nas cidades ao lado de placas indicando que elas fazem o serviço. Na hora que falamos com elas, não temos somente aquele diálogo padrão de “Quer salvar o seu progresso?”, elas sempre dizem coisas relacionadas com o lugar e o que está acontecendo. Eu ri muito com algumas situações como em uma vila onde um NPC está apaixonado por uma delas e ela se sente incomodada porque ele fica olhando estranho pra ela… ou em uma outra cidade se frente pro mar a moça do Save se emociona toda vez que olha pro mar… eu simplesmente amei isso no jogo. Quando eu chegava em uma nova cidade eu corria para salvar o jogo não só para garantir o meu progresso mas também para ver o que a moça lá diria pra mim. 

Além disso também temos muitas situações bem humoradas com NPCs, tem gente comendo escondido, gente fingindo doença para não trabalhar, magos fazendo magias estranhas e por aí vai… você vai rir bastante com alguns diálogos nesse jogo. 


Mapa do "mundo" em Tenshi no Uta

Enfim, Tenshi no Uta entrega uma boa história com um elenco decente e um mundo bem produzido, vale mencionar que esse é o segundo jogo original desenvolvido pela Riot e o primeiro RPG deles, o que eles nos entregaram é bem sólido para uma primeira experiência, digo isso comparando com o que a outra equipe da Telenet Japan estava fazendo. É só você ver o que a Laser Soft nos deu no mesmo ano com Cosmic Fantasy 2, é um mundo de diferença. E você vai notar bem quando entrarmos na jogabilidade. 


CONTROLES DIVINOS? 


Aprenda a usar os controles

Tenshi no Uta não inova, ele meio que pega o que funciona em RPGs e usa direito. Você não vai encontrar aqui nada tão revolucionário, embora algumas coisas podem até ser novidade considerando os RPGs da época. Vamos então ver como são os controles. 

  • Direcional é o nosso amigo na hora de mover o personagem no campo ou o cursor nos menus. 
  • O botão I é o botão de ação, vai servir para conversar, revistar, abrir e etc no campo. Também é o botão que confirma as ações nos menus e combates. 
  • O botão II se você mantiver pressionado enquanto anda pelo campo fará seu personagem correr e por padrão é o botão que cancela/volta as ações. 
  • O botão RUN foi o ignorado da vez… ele literalmente não faz nada no jogo todo, nem mesmo na tela de título ele trabalha.
  • O botão SELECT trabalha muito aqui, ele é quem abre o menu de campo. 

OBS: A gente sempre avisa e eu creio que você já está mais do que ciente, mas esse é mais um jogo incompatível com controles de 6 botões. Não se esqueça de alterar o modo no controle para 2 botões ou configurar o seu emulador corretamente. 


Conversar com as galinhas não muda o fato de que RPG é tudo igual...

Depois de jogar um jogo quebrado como Cosmic Fantasy 2, encontrar um RPG simples e funcional como Tenshi no Uta faz ele parecer o melhor jogo do mundo. Mas esse exagero todo meio que se justifica. Apesar de ser bem pé no chão com a fórmula, o jogo funciona de uma forma bem fluida. 

Não temos muita coisa diferente do que vemos em outros jogos, você compra itens nas lojas, dorme nos INNs, revive aliados caídos ou recupera os status negativos nas igrejas sem pagar nada (chupa Dragon Quest mercenário), o dinheiro do jogo é o Gimel… 

O jogo possui um sistema de transição de dia e noite, assim como Dragon Quest III e IV, mas ele só é usado em cidades, não afetando dungeons. Tanto é que se entramos em alguma dungeon quando está de noite o jogo já faz a transição para dia automaticamente e assim que saímos de volta pro mapa estará de dia. 


O tiozinho dando em cima da moça do save...

Uma peculiaridade desse sistema é que ele tem uma transição muito rápida e se você ficar parado no mapa ela irá acontecer, mesmo enquanto usamos o menu de campo. É um pouco estranho para quem se acostumou com a fórmula mais comum de usar esse tipo de transição em jogos, no caso a de Dragon Quest. Mas é bem conveniente quando queremos ver um evento noturno numa cidade, em segundos no mapa podemos resolver isso. 

Em alguns lugares temos uns eventos no jogo que nos deixa presos na cidade até resolvermos o problema. Não poderemos nem salvar o progresso durante esses momentos. Quando isso acontece temos que ir conversando com NPCs e coletando pistas para resolvermos a situação. Você sabe que está num momento desses porque a música muda e quando você conversa com alguém e obtém uma nova pista o jogo toca um jingle. 

E é isso, não tem nada de tão diferente que precise de uma menção além do que foi dito acima. Eu disse, o jogo é bem pé no chão com a fórmula. 


Menu de campo do jogo

Até o menu de campo do jogo é simples, simples até demais em alguns pontos eu diria. Você aperta SELECT e o menu é exibido na parte superior esquerda da tela. E é só isso, nem mesmo vemos um resumo dos nossos personagens como temos em outros RPGs, eu achei isso bem ruim, embora possamos de fato ver os atributos dos personagens, não é sem ter que escolher uma opção antes. Sou sempre à favor da simplicidade mas sem prejudicar a experiência. Enfim, vamos conhecer o menu de campo do jogo então. 


As magias são divididas por categoria

MAGIC: Serve para ver as magias que seu personagem tem e usar as que podem ser usadas em campo. O jogo separa as magias em 4 categorias. 

  • Magias de ataque, que são aquelas voltadas a causar dano nos inimigos durante os combates. Existem magias baseadas em elementos como fogo ou vento e sem nenhum vínculo elemental. Elas podem acertar um único inimigo, um grupo de inimigos conforme o tipo ou todos eles de forma indiscriminada. 
  • Magias de cura, as que servem para recuperar o HP dos personagens, curar status negativos ou revive rum aliado caído. As magias de cura possuem variações que recuperam um único aliado ou todos de uma vez. O jogo oferece apenas uma magia para curar status e ela resolve todos eles. Para reviver alguém o jogo seguiu a fórmula de Dragon Quest, uma magia mais simples com chances reduzidas de sucesso e uma melhor com total garantia. 
  • Magias de suporte são aquelas que você usa para modificar atributos durante os combates. Experimente aumentar o ataque do Jito e veja o estrago acontecendo. Além de aumentar nossos atributos, podemos reduzir os dos inimigos ou causar algum status negativo neles, também podemos roubar HP ou MP deles. 
  • Magias diversas. Aqui ficam magias que muitas vezes só podem ser usadas no campo ou em um ponto específico. Aquelas magias que reduzem o encounter rate que nos levam para fora de uma dungeon na hora, que nos manda para a última cidade visitada, uma que protege os personagens ao pisar em terreno que causa dano. Até umas diferentes como uma que traz o seu barco até a praia mais próxima ou uma que nos leva até o barco. 

O jogo só tem um problema, nada de explicações, sem o manual ou um guia o negócio vai ser testar magia por magia até saber o que cada uma faz, e ter boa memória para lembrar porque os nomes são originais. 


Gerir itens não é nada fácil aqui... pouco espaço

ITEM: O jogo adota o padrão de Dragon Quest para lidar com itens. Cada personagem carrega até 8 itens, o problema é que o equipamento ocupa espaço e itens importantes nem mesmo podem ser deixados com qualquer personagem. Considerando que um personagem com o set de equipamentos completo vai ocupar 5 dos 8 slots de item já dá para entender como é ruim isso. Eu sofri um bocado com o gerenciamento de itens no jogo. 

Ao menos com itens consumíveis, o jogo nos dá uma pequena ajuda. Itens de cura, aqueles itens que usamos em combate e os que fazem algo no campo similar a algumas magias de suporte são cumulativos. Veremos um número junto deles e podemos juntar o quanto conseguirmos deles. 

O jogo oferece opções para trocar itens entre os personagens e até para descartar itens que não queremos mais. O item só não pode estar equipado para poder ser transferido. E para itens que são cumulativos ao transferir para outro personagem só vamos mandar um por vez e não o total que temos em algum personagem. 

Assim como nas magias, não temos explicação dos itens, nem nas lojas… só no manual e nem tudo está listado lá. Tão ruim quanto Cosmic Fantasy 2 heim… 


Equipando o personagem

EQUIP: Equipar seu personagem é bem simples aqui. Como eu disse lá nos itens, podemos equipar até 5 peças de equipamento no personagem. Uma arma, uma proteção para os braços que varia entre escudos ou luvas, uma armadura, uma proteção para a cabeça e um acessório. 

No momento que vamos equipar um item podemos ver as mudanças de atributos que ele traz (chupa Cosmic Fantasy 2!) e para remover um equipamento do seu personagem é só selecionar ele novamente como se fosse equipar. Vale lembrar que o personagem só poderá equipar itens que estiverem em sua possessão e na loja quando vamos comprar um equipamento incompatível com o personagem o lojista avisa, o mesmo diálogo aparece se tentamos equipar um item incompatível que tenha sido encontrado em baús por exemplo. 

Uma coisa engraçada do jogo é que recebemos uma peça de armadura que é uma calcinha, literalmente uma calcinha de algodão com um lacinho na frente. Não seria nada de mais não fosse o fato dessa ser a melhor armadura disponível para o Buzen durante boa parte do jogo kkkkkkkkkkkkkkkkkk 


Tela de status padrão do jogo

STATUS: Clicando nessa opção veremos primeiro aquele resumo dos personagens que deveria aparecer por padrão no menu de campo. Logo ao clicar na opção teremos uma janela que mostra o quanto temos em dinheiro, além das informações básicas dos personagens. Nome, LV, HP, MP… o cursor fica disponível nesta janela e selecionando um personagem vamos ver os status detalhados dele. Na janela que se abre teremos o nome do personagem no topo ao centro, na parte esquerda teremos. 

  • LV 
  • HP 
  • MP 
  • EXP sendo o quanto temos e o que precisamos para o próximo LV 
  • AP = Attack Power 
  • AC = Armor Class = Defesa 
  • Velocidade 
  • Sabedoria que quanto maior mais forte serão suas magias 
  • Sorte que influencia os danos críticos 

Por fim teremos no lado direito a lista de itens equipados no personagem. 

Faltou só um retrato do personagem nos status detalhados porque não vi faltar nenhuma informação importante, só achei confuso no começo essa parada de AP e AC, mas é só acostumar porque não há nada diferente alem dos nomes. 


As anotações que o jogo faz ajudam muito

MEMO: Essa é a opção para quem se perde fácil ou não sabe o que fazer. Quando falamos com alguns NPCs ouvimos um jingle, isso significa que o que ele disse é útil e deve ser lembrado mais tarde. Aí o jogo armazena as últimas 8 mensagens úteis de NPCs aqui, como uma forma de ajudar o jogador a prosseguir ou obter informações úteis mesmo não estando no local onde ele ouvir tal informação de um NPC. Nem toda informação dada pelos NPCs é realmente útil para o avanço da história, muitas nem mesmo são relacionadas com o momento ou local, algumas são mais para aprofundar a lore do jogo, acrescentam na construção de mundo. Mas a função é útil, quando você para de jogar por um tempo e volta meio perdido ao menos não precisa sair conversando com todo mundo para se situar, é só olhar as últimas anotações. 


LOAD: Aqui você carrega um jogo previamente salvo sem ter que dar reset no console. Simples assim. É uma função bem útil considerando que consoles de CD-ROM tem um tempo de load maior que os de cartucho e isso impacta na espera. 


E é isso, um menu de campo bem simples. Falta uma coisinha aqui e ali para melhorar, mas ao menos tudo realmente funciona. Não temos bugs que podem prejudicar a experiência. Para um primeiro RPG eu diria que o pessoal da Riot fez um bom trabalho. 

Mas se esse trabalho ficasse só no menu de campo não seria algo bom não é, e é por isso que vamos ver como os combates do jogo funcionam. 


Tela padrão dos combates

Em Tenshi no Uta temos combates por turno no melhor estilo Dragon Quest clássico. Antes de realizarmos as ações vamos escolher o que cada personagem vai fazer e o turno irá rolar com a ordem decidida pelo atributo velocidade. Assim que os personagens e inimigos realizarem suas ações, vamos ter as opções exibidas novamente e depois de escolher o que cada um fará, um novo turno vai se iniciar. 

O layout dos combates é simples tal qual é o menu de campo, na parte superior temos o resumo dos nossos personagens com nome, HP e MP, se estivermos sob o efeito de um status negativo veremos um ícone representando o mesmo do lado esquerdo do HP do personagem… na parte central é a tela de ação e na parte inferior temos as opções disponíveis e durante o turno a janela com as informações contextuais. As opções disponíveis para cada personagem são as seguintes. 


ATTACK: Não importa quantas vezes eu faça um review de RPG, essa opção dificilmente vai ser diferente do padrão. Ataque físico com a arma equipada para causar dano no alvo escolhido. Não há muita variação aqui, ou seu ataque acerta ou não e se a animação exibida for diferente isso significa dano crítico o que dá mais do que o dobro do dano no caso desse jogo. Um ponto legal desse jogo está na velocidade, ataques normais são bem rápidos nas animações e isso faz com que vários ataques em um mesmo alvo sejam executados bem rápido, fazendo os combates serem mais rápidos. 


Essas tabelas do manual são suas melhores amigas na hora de usar magia

MAGIC: Com exceção do Jito, todo mundo pode usar magia aqui. Então é nessa opção que vamos encontrar elas. Assim como no menu de campo, elas estão divididas nas categorias e as que não podem ser usadas em combate ficam com a fonte escura indicando que não podem ser selecionadas. Fora isso fica aquele lembrete sobre a ausência das explicações das magias, se não tiver acesso ao manual fica complicado. 


ITEM: Nessa opção você usa os itens em possessão do personagem. Existe uma boa variedade de coisas para serem usadas durante os combates, mas não me lembro se era possível usar ou não equipamentos como itens. No manual também não tem nenhuma referência… preguiça de testar kkkkkkkkkkkkkkkkkk 

Aproveitando o embalo, o jogo não tem muitos status negativos e para curar eles usamos apenas um item ou magia, salvo o personagem morto que têm item e magias separadas para isso. Também podemos curar tudo sem usar nada ao visitar uma igreja. 

Os status disponíveis são:

  • Envenenamento que faz nosso personagem perder um pouco de HP a cada turno ou um ponto por passo dado no campo. 
  • Medo que é o equivalente ao silêncio nos RPGs, impede o personagem de usar magias. 
  • Confusão que faz o personagem ter dificuldade em diferenciar aliados de inimigos na hora do ataque. 
  • Sono que bota seu personagem pra dormir e perder o turno até que ele acorde. Detalhe que mesmo levando um ataque inimigo ele não irá acordar. 
  • Morte é quando seu personagem é incapacitado. Você não poderá usá-lo até que ele seja revivido. É o único status representado de forma diferente, o nome do personagem fica com a fonte escura e o sprite de no campo fica em preto e branco. 

OBS: Envenenamento, Medo e Morte persistem ao final do combate enquanto os demais status somem ao término do mesmo. 


DEFEND: Para reduzir danos tanto dos ataques físicos quanto das magias inimigas, essa é a opção ideal. Quando os combates são mais pesados, é fácil saber que vamos ter que preservar um personagem só para curar a party, usar a defesa com ele é uma boa estratégia. 


ESCAPE: Fugir dos combates é uma opção válida, ainda mais quando a coisa está complicada com monstros fortes que não nos deixam em paz. Eu achei a taxa de sucesso relativamente baixa indiferente do inimigo ser forte ou não. O lado bom é que podemos escolher a opção com mais de um personagem, então temos mais de uma chance de fugir com sucesso. 


Contra chefes a coisa não muda muito... só não podemos fugir das lutas

Eu disse que era pouca coisa, e é só isso mesmo, o jogo oferece o mínimo, mas ao menos tudo funciona. Não adianta oferecer o mundo sem funcionar direito igual ao que Cosmic Fantasy 2 fez, se o simples te atende melhor quando funcional. 

As regras para o término do combate são o padrão, ou você derrota os inimigos ou eles te derrubam. Se você perder o jogo volta do último ponto salvo sem nenhuma penalidade. Se você vencer recebe o Gimel, aí a tela retorna para o campo é vamos ver quanto de EXP cada um ganhou. Se o seu personagem sobe de LV a tela de status é exibida e ao apertar o botão ela mostra o aumento de cada atributo. E em seguida um diálogo indicando que ele aprendeu uma nova magia se for o caso. 

O encounter rate do jogo é bem alto, mas no geral os combates não são demorados. Muitos inimigos caem com uma ou duas pancadas. Fora que ter mais personagens na party ajuda um bocado para bater mais em cada turno. 


Não é difícil de avançar no jogo

No geral o desafio do jogo é mediano, não temos muito trabalho para avançar por conta do sistema de anotações com a opção MEMO do menu de campo, sempre sabemos onde ir. Fora que com a grande quantidade de batalhas que encontramos no caminho os personagens pegam LV rápido, o que garante HP e MP recuperados à cada LV up, fora aprender magias boas bem rápido. Dinheiro raramente é problema aqui também… para não dizer que algo não pesa um pouco no desafio algumas dungeons são grandes e fáceis de se perder na navegação. No geral o jogo é relativamente curto perto de muitos RPGs, com boa administração de recursos é fácil ir de uma ponta a outra sem parar muito. 


Como o jogo usa o formato Super CD-ROM² temos disponível mais memória, com isso os tempos de loads são menores do que no padrão CD-ROM² do PC Engine. O jogo tem uma fluência muito agradável. Não me entenda mal, ainda temos sim loads, mas a forma com que os desenvolvedores trabalharam o jogo deixou eles menos irritantes. Por exemplo, o jogo só faz longas pausas quando entramos do mapa em uma cidade ou dungeon, ou quando saímos de volta ao mapa. Para simplificar tudo o jogo faz poucas trocas de mapa e o efeito de transição para os combates é muito rápido. Comparando com outros jogos do console que usam o mesmo padrão eu diria que Tenshi no Uta consegue ser mais fluido do que muitos outros que saíram depois, nem mesmo o jogo mais vendido do console é tão fluido assim. 


E pensar que tudo começou por conta de um casório

Enfim, podemos finalizar com a jogabilidade dizendo que a de Tenshi no Uta é uma boa experiência. A aposta na simplicidade somada à boa otimização dos loads fez o jogo seguir de uma forma muito agradável, porém nem tudo são flores. Não tem como não achar o gerenciamento de itens bom, ou então a total ausência de explicações sobre itens e magias algo bom, ter que recorrer ao manual é complicado pra muita gente que provavelmente joga via emulação. E tem um fator um tanto quanto ruim, o manual do jogo não é dos melhores. Tirando as tabelas com uma breve ajuda com itens e magias e a parte sobre a lore do jogo, as informações sobre os sistemas do jogo são bastante limitadas ou ausentes lá. Tem mais informações sobre os combates aqui do que no manual kkkkkkkkkkkkkkkkkk 

Mas se for só pela jogabilidade, Tenshi no Uta passa, ainda mais para quem estava sofrendo com os dois primeiros Cosmic Fantasy kkkkkkkkkkkkkkkkkk 


BELEZA ANGELICAL? 


Quando paramos para olhar melhor os gráficos do jogo vemos que não temos um super visual, é um jogo de 1991 e vem de um time meio que recém formado. Mas não adianta só falar isso. Bora descrever tudo. 


RPG de formiguinhas

Começando pelos nossos personagens e NPCs, tudo é muito pequeno e com poucos detalhes, os personagens sequer tem um rosto nos sprites. Pra dizer a verdade, nossos personagens se passariam por NPCs facilmente. Apesar disso não temos visual SD (ou Chibi se preferir) como a grande maioria dos RPGs da época. É uma escolha diferenciada, não é das melhores eu diria mas é de certa forma interessante. Como eu disse que os personagens até parecem com os NPCs, tudo fica com um ar mais normal por assim dizer, não precisamos de um herói que usa uma armadura reluzente e uma espada gigante… infelizmente não temos animações além do ciclo de caminhada… é algo que faz falta. 

Em contrapartida, os monstros que aparecem no campo são mais detalhados e alguns tem sprites bem grandes, com os NPCs pequenos isso passa uma percepção da diferença de tamanho bem interessante. Uma pena que vemos poucos inimigos no campo. 


Tenshi no Uta VS Final Fantasy IV

O mapa do jogo é mais interessante, apesar de usarmos os personagens pequeninos o nível de detalhes no mapa é bem interessante. Se compararmos com muitos RPGs da mesma época é notável o quanto o mapa de Tenshi no Uta é bonito. Só para comparar, na imagem acima temos o mapa de Tenshi no Uta VS o mapa de Final Fantasy IV no SNES… não é sempre que o jogo mais famoso é o mais bonito… 


As cidades são bem simples... até demais...

Agora quando entramos nas cidades e nos vilarejos… tudo fica muito simples de novo. Não é que seja feio, algumas cidades tem até bons detalhes mas com sprites pequenos parece que estamos jogando um RPG com formigas. Ao menos as casas tem mobília e não são coisas vazias… no final das contas eu ainda prefiro esse visual “formiguinha” do que o que se tinha nos dois primeiros Cosmic Fantasy. Um detalhe legal é que ao invés de trocar a câmera e forçar transições o tempo todo, o jogo usa o artifício de remover o teto dos lugares para mostrar o interior. Ao menos se os sprites são pequenos a escala dos lugares fica mais “realista” assim. 

E se as cidades são mais simples, as dungeons são também kkkkkkkkkkkkkkkkkk… na real temos cenários mais detalhados aqui e muita pouca reciclagem de assets. A ambientação varia bem de acordo com a dungeon, temos mudanças até  na mesma área às vezes. 


Dungeons são no geral melhor desenhadas que as cidades

No final das contas os gráficos no campo são medianos, é fato que as formiguinhas de personagens são bem sem graça e que as cidades parecem faltar alguma coisa… ao menos o mapa e as dungeons ainda compensam. Mas e os combates? 


O fundo dos combates é onde você estiver

Quando nos combates o jogo usa a mesma proposta visual de Cosmic Fantasy 2, embora com algumas melhorias na fórmula. Assim como a grande maioria dos RPGs da época, os combates são em primeira pessoa. Os monstros variam de tamanho, mas no geral temos bons sprites com bastante detalhes e o designer caprichou aqui, temos uma ótima seleção de criaturas legais. Infelizmente são todos imóveis… quando passamos para os chefes a coisa muda um pouco. A grande maioria dos chefes são gigantes e bem detalhados, também temos movimentos para os ataques deles. Alguns chefes são tão maiores que sobrepõem as janelas de texto omitindo alguns dados dos personagens… o ideal era as caixas de texto sobrepor os sprites mas é bem provável que alguém ali quis destacar o visual dos “bicho grandão” kkkkkkkkkkkkkkkkkk 

As animações são boas em sua maioria. A animação de ataque físico é padrão mas as magias em geral tem uma boa variedade para as de ataque. As de redução de atributos ou as que causam algum status negativos nos inimigos ou reciclam uma animação simples ou nem trazem uma. 

A única coisa que não temos aqui são cenários. Assim como Cosmic Fantasy 2, os combates ocorrem com o campo como cenário de fundo, até mesmo contra os chefes. Só que o jogo ao menos criou um efeito legal para não ficar tão simples quanto já é. Quando entramos em combate o jogo faz um efeito visual que remove a cor do campo e os sprites, deixando somente o cenário sem cor ao fundo. Isso destaca mais os monstros visualmente. Eu realmente preferia ter um cenário aqui, mas olhando pelo lado da fluidez, dá pra entender a decisão de não criar um. As transições entre a movimentação no campo e os combates são realmente muito rápidas, bem provável que carregar um cenário teria algum impacto… 


As cenas animadas estão no jogo mas não são as melhores que você vai ver 

Por fim nos sobra aquele recurso famoso dos jogos em CD para analisar, as cenas animadas. Apesar de ser em CD-ROM, Tenshi no Uta tem bem poucas cenas… se comparado com o quanto o primeiro Cosmic Fantasy tem por exemplo, dá até pra dizer que não temos cenas animadas em Tenshi no Uta. Os produtores jogaram bem safe nessa parte. 

As cenas presentes no jogo tem um estilo um cadinho diferente do que eu vejo em outros jogos, elas tem meio que um ar de colagem, tipo, vários clipes separados que alguém juntou e montou uma cena inteira. A qualidade geral também não é das melhores, perdem para o que Cosmic Fantasy 2 que é do mesmo ano entrega (pena que lá falta o jogo onde sobra cena). Ao menos temos boas cenas para a introdução e para o final do jogo, o que vem no meio dele é lucro. 


A arte do jogo é bem própria dele

Com relação à arte usada temos um estilo bem parecido com mangás shoujo, personagens mais magros e altos com um traço mais delicado. Um bocado diferente do estilo mais shounen que muitos jogos com estilo anime adotavam na época. Eu pessoalmente gostei, acho legal jogos que fogem um pouco do padrão. Inclusive podemos ver alguns retratos para os personagens principais e alguns NPCs durante o jogo e o estilo permanece, uma pena que não rolam mais daquelas cenas mais estáticas que outros jogos usam, seria uma boa forma de colocar mais arte dentro dele. 


Podemos então dizer que Tenshi no Uta segue o padrão mediano. Gráficos que não são realmente bonitos, mas também não são feios. O jogo entrega o necessário e de fato algumas decisões tomadas fazem você pensar que poderiam ter feito muito mais. Eu dou um desconto porque quando falamos de um primeiro jogo, sempre se deve considerar a experiência (ou a falta dela) que a equipe tem. Uma coisa eu posso garantir, considerando o que a outra equipe da Telenet Japan fez como um primeiro RPG, Tenshi no Uta é o paraíso. 


OUÇA O CANTO DOS ANJOS 


Na parte sonora o jogo se mantém no padrão. Entrega algo bom, mas nada realmente espetacular. Considerando a compositora, eu diria que ela se conteve aqui, mesmo assim temos uma boa trilha sonora. 

Como estamos falando da Michiko Naruke, eu já estava esperando algo no mesmo nível de Wild Arms, que foi o meu primeiro contato com o trabalho dela. E de fato algumas músicas me fazem lembrar do RPG do Playstation, porém muitas músicas tem um ar meio Psycho Dream, um jogo de SNES produzido pela mesma equipe de Tenshi no Uta e que conta com a trilha sonora feita por ela. No geral eu acho a trilha sonora desse jogo bem relaxante, tem boas músicas pra se ouvir ali enquanto estudamos ou estamos escrevendo um review de um jogo de RPG kkkkkkkkkkkkkkkkkk 

Para a minha alegria, a maior parte da trilha sonora do jogo tira proveito do som digital que o CD oferece, apenas alguns jingles fazem uso do som PSG do PC Engine. Se lançaram a trilha sonora do jogo de forma oficial eu desconheço. 


Não tem OST oficial então vai foto do disco do jogo mesmo kkkkkk

Mas se você quiser ouvir a OST de Tenshi no Uta, é só clicar NESSE LINK que você consegue ouvir o que é tocado dentro do jogo. 


O jogo também não economiza com efeitos sonoros, temos sons para coisas que acontecem e para as ações nos combates. Nada impressionante é verdade, mas é bom ter sons para ações… isso acrescenta na experiência. 


E por fim, temos vozes é claro, porém somente nas cenas animadas. O jogo não fez uso de vozes para diálogos importantes, o que é um bocado triste eu diria. Eu adoro quando um jogo acrescenta diálogos para as cenas importantes, adiciona impacto e passa mais emoção. O elenco listado nos créditos do jogo é bem pequeno. 

Temos creditados no elenco:

  • Kazuhiko Inoue deu voz ao Kear. Lembra do Klarth em Tales of Phantasia? Então, a voz é dele. Considerando os jogos que ganharam review aqui ele está no Emerald Dragon como Hathram. Fora uma gigantesca carreira com animes. 
  • Hiroko Emori dá voz para Claire. Ela também já deu as caras por aqui com a voz da Tsunade no primeiro Tengai Makyou e jogos seguintes. 
  • Gara Takashima deu voz para a Maria, essa você vai ter que jogar pra saber quem é no jogo. A dubladora é aquele exemplo de voz que você ouviu em vários animes ao longo dos anos mas sempre em papéis menores. Em jogos a mesma coisa. Ah! Ela dublou a Carrie Fisher, a eterna Princesa Leia nos episódios IV a VI de Star Wars no Japão. 
  • Hideyuki Tanaka é o Jito. Em jogos só me lembro dele dando voz para o Citan de Xenogears (jogão demais)... em animes ele é o Aiolia de Leão e o narrador da versão original de Saint Seiya além de outras obras baseadas no universo criado pelo Kurumada. 
  • Junko Hagimori dá voz para a Enya. Sabe aquela pessoa que faz um monte de papel pequeno em animes e você nem se liga que é ela? Então… tirando isso, ela deu voz para a Saki daquele trio de inimigas no Grandia. 
  • Kouhei Miyauchi fez a voz do Buzen, Esse cara é uma lenda, fez a voz do Mestre Kame em tudo de Dragon Ball até meados de 1995, ano em que ele faleceu. Em jogos ele não tem muitos papéis, mas ele esteve em Tengai Makyou Ziria e Manjimaru fazendo alguns personagens. 

A qualidade das vozes embora decente tem um problema, volume meio baixo. Em algumas cenas mal dá pra ouvir o que os personagens falam porque os efeitos sonoros sobrepõem demais as vozes. Mesmo com ajustes nos canais de áudio do emulador só para isso ainda não fica bom, dá até pra deixar pior. Não sei dizer se é assim no hardware original, mas eu achei muito baixo para ouvir detalhes em momentos importantes. Eu jogo em emulador mas não faço uso de savestate, fast forward entre outras melhorias que emuladores trazem, tento jogar o mais próximo possível da experiência no console para ter um contexto mais próximo da época do jogo. Acho mais justo assim, mas nesse jogo eu tive que usar a função de rebobinar para ouvir alguns diálogos melhor. 


Tenshi no Uta é definitivamente um jogo mediano. Faz o necessário para entregar uma experiência satisfatória mas não é perfeito. O som segue junto dos gráficos e da jogabilidade nessa fórmula. Boa trilha sonora mas não é algo espetacular, tem efeitos sonoros, coisa que alguns jogos esquecem de usar, e apesar de ter ali as vozes, não faz o melhor uso delas. 


NÃO ME ESCONDA NADA 


Não achei nenhum artigo mostrando coisas escondidas ou deixadas no disco do jogo. Mas o jogo tem uns truques e códigos. 


Telas escondidas pra explorar o que tem dentro do jogo

DEBUG MODE: Na tela de título pressione o direcional para direita 4 vezes, para cima 3 vezes e para esquerda 6 vezes, em seguida pressione o botão II 7 vezes e por fim o botão I. Se fizer a sequência corretamente o debug menu vai aparecer na hora. 


OMAKE: Na tela do “The End” pressione o botão II 62 vezes e em seguida o botão I. Se fizer corretamente, poderá ver uma cena e ouvir uma espécie de Radio Drama. 


LEVEL 99: Para fazer esse truque vai precisar de um segundo controle conectado ao PC Engine/emulador. Na tela de boot do console, aquela que mostra a versão do Super CD-ROM², segure para cima no direcional e os botões I e II no controle 2 e então pressione o botão RUN no controle 1. Se der certo você começa o jogo no LV 99. 


RECEPÇÃO E LEGADO 


Eu não sou muito de pesquisar por avaliações da crítica especializada, mas ao que parece Tenshi no Uta definitivamente é o RPG da média. As poucas avaliações que eu vi tratam o jogo como algo mediano. Em fóruns e blogs japoneses, quem jogou na época também não viu o jogo como algo grandioso. 

A popularidade dele parece ter vindo com o advento e popularização da internet e da emulação. Conversando em grupos japoneses de retrogaming vi que muita gente só foi jogar ele muitos anos depois do lançamento usando um emulador. 

No ocidente como não tivemos localização oficial o jogo é apenas um nome na lista de jogos do PC Engine. Quem tem conhecimento do idioma japonês e se arriscou no jogo provavelmente foi por ter lido que o jogo foi feito por gente que mais tarde faria Wild Arms, foi inclusive assim comigo. Além claro do fato de que eu não queria ir jogar outro Cosmic Fantasy logo em seguida do 2 kkkkkkkkkkkkkkkkkk 

Hoje em dia o jogo tem um status de clássico cult por conta da sua história e ambientação. Em uma rápida pesquisa eu achei alguns anúncios no ebay do jogo. O preço fica em média de 150 a 200 reais sem contar frete e impostos… eu compraria, mas não tenho vontade de pagar impostos abusivos. 


Jogo completo à venda no eBay

Indiferente disso, o jogo conseguiu vender o bastante para ganhar uma sequência… na verdade duas. E elas irão ganhar review aqui também. Só vai demorar um pouco… 


Infelizmente a versão de PC Engine não recebeu uma tradução feita por fãs. Até vi alguns projetos começados na web, mas nada de concreto foi apresentado. 

Só que o jogo não ficou preso no console não. Em setembro de 2024 chegava às lojas japonesas com exclusividade para o Nintendo Switch, Tenshi no Uta Collection trazendo esse jogo junto da sua sequência no PC Engine. 

E não para por aí, a galera da Limited Run Games está trazendo essa coletânea para o ocidente, rebatizada de Tenshi no Uta The Angel Verse Collection, ela foi anunciada no final de 2025 e vai ter inclusive lançamento físico. O jogo contará com textos em inglês e sem dublagem para não estragar a obra original kkkkkkkkkkkkkkkkkk 

E eu fico como? Morrendo de vontade de comprar essa coletânea. Só não sei como vou fazer sem ser por importação. O jogo é muito desconhecido para nós BR. 


Olha que coisa linda

E pra variar nada de set de conquistas no Retro Achievements, o que nem é de se estranhar de um jogo sem tradução. 


Simon Belmont descansa... se virem com o Drácula aí...

Curiosidades não temos nada tão impactante pra mencionar. Mas… 

  • Akifumi Kaneko, que foi um dos assistentes de planejamento de Tenshi no Uta, deve ser o nome a ser lembrado. Ele quem foi para a Media Vision junto de outros membros da Riot e deu vida à franquia Wild Arms. 
  • Kiyofumi Kato que trabalhou nos gráficos do jogo mais tarde foi trabalhar na Squaresoft onde ele trabalhou em vários títulos desenvolvidos pela empresa, entre eles estão Super Mario RPG, Live a Live e Final Fantasy Tactics. Atualmente ele esteve envolvido com os remakes de Dragon Quest I&II HD-2D. 
  • A moeda em Wild Arms é o Gella, porém os centavos são chamados de Gimel, o nome da moeda corrente de Tenshi no Uta. 
  • Em uma cidade do jogo, visitando o cemitério encontramos um túmulo pertencente ao Simon Belmont, protagonista dos primeiros jogos da série Castlevania. Não creio que seja algum tipo de provocação mas sim uma homenagem para um guerreiro assim como Final Fantasy no seu primeiro jogo fez com o Link da série The Legend of Zelda. 
  • Já disse lá em cima que a trilha sonora é de autoria da Michiko Naruke certo? Ao que parece esse foi o segundo jogo cuja trilha sonora é creditada para ela. 

E é isso. Estou sem mais o que dizer sobre o jogo… já tá na hora de fazer uma conclusão. 


CONCLUA ENTÃO 


Tenshi no Uta é um RPG simples e bem construído. Tudo nele segue uma média, não é incrível mas não é quebrado. Pra mim que vim de uma péssima experiência com Cosmic Fantasy 2, eu já poderia considerar ele uma obra prima digna de premiação kkkkkkkkkkkkkkkkkk 


Toda jornada tem um fim...

Eu creio que o jogo merece o carinho que ele tem recebido na internet, é um bom RPG. O relançamento ajuda a comprovar o quanto o jogo é interessante. Uma pena que a Telenet Japan deu mais valor à Cosmic Fantasy do que para o que poderiam ter feito com Tenshi no Uta. 

Eu peguei o jogo para jogar porque o nome não me era estranho, afinal temos um jogo da série no SNES e eu achava que era o mesmo jogo em versões diferentes como é o caso com Emerald Dragon. Fora que sites como o Gamefaqs colocam essa informação errada de que são o mesmo jogo. Indiferente disso, o fato de ser feito por gente que foi lá fazer Wild Arms depois influenciou muito a minha decisão de jogar e eu não me arrependo nenhum pouco. Se você entende japonês eu mais do que recomendo jogar o jogo, ou quem sabe você possa comprar o relançamento que traz o idioma inglês, de qualquer forma eu mais do que recomendo. 


Eu bem que gostaria de seguir os reviews com a sequência de Tenshi no Uta, mas eu tenho que honrar o compromisso que assumi e pagar pelos meus pecados em vida, ou seja, o próximo review é de Cosmic Fantasy 3. Desde já eu peço socorro… Kkkkkkkkkkkkk 


Enfim, eu encerro mais um review e espero que você tenha lido até aqui sem pedir pro ChatGPT resumir para você. Então, até a próxima.

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