Toda franquia tem um final? Não, basta a produtora ter interesse e criatividade para mantê-la viva. Mas quando estamos falando da Telenet Japan, sim, tudo teve um final… e agora é a vez de Cosmic Fantasy ver um final…
Depois de uma árdua jornada pela franquia, com jogos altamente questionáveis e decisões estranhas, finalmente teremos um jogo decente para ao menos dar um fim justo para a franquia? É isso que vamos descobrir hoje nesse post, clique ai em CONTINUE LENDO e bora.
Antes de prosseguir. Você já conhece a franquia Cosmic Fantasy? Não? Então, se você gosta de ler, que tal conferir os artigos dos jogos anteriores? É só clicar nos links abaixo.
Cosmic Fantasy está NESSE LINK
Cosmic Fantasy 2 está NESSE LINK
Cosmic Fantasy 3 está NESSE LINK
Vamos recapitular? Eu peguei a franquia Cosmic Fantasy da Telenet Japan para jogar por curiosidade, pensei em desistir, mas fui coagido a continuar jogando até o final.
Minhas experiências não foram nada boas com metade da série praticamente.
O primeiro jogo é o típico RPG primitivo somado a péssimas escolhas e visualmente pobre, mas apesar disso ele funcionava bem.
O segundo jogo consertou vários problemas do primeiro, trouxe ideias novas e visual muito melhor. Só que esqueceram de programar o jogo direito, ele é praguejado de bugs e mecânicas mal implementadas.
O terceiro jogo foi uma verdadeira evolução digna, visual melhor, várias mecânicas realmente boas e praticamente sem bugs. Mas sofreu com um encounter rate totalmente absurdo pior que muito RPG mais antigo e a história não é das melhores.
Mesmo assim eles prometeram um quarto jogo e não entregaram só um, mas sim dois jogos. O final da série veio em duas partes.
Eu até pensei em fazer um review das duas partes juntas, mas não seria tão justo porque mesmo com suas similaridades, temos muitas diferenças que talvez valha a pena colocar em textos separados.
Ao final de Cosmic Fantasy 3 temos um trailer de uma possível continuação e conclusão da saga. “Cosmic Fantasy 4 está chegando” eles disseram. Como a Open Sesame, estúdio que desenvolveu o terceiro jogo, não pertencia a Telenet Japan, eles continuaram trabalhando sem muitos problemas com a reestruturação que a empresa fez no final de 1993.
Em 10 de junho de 1994, quase dois anos após o lançamento de Cosmic Fantasy 3, chegava ao mercado Cosmic Fantasy 4: Ginga Shounen Densetsu - Totsunyuuhen, que não era apenas um título mas sim a primeira parte do que seria o fim da saga.
Aí vem uma dúvida. Será que era planejado desde o início que a saga tivesse um final neste quarto jogo, indiferente de ele ter sido dividido em duas partes? Se você andou lendo meu último review sobre o Tenshi no Uta do SNES, deve saber que a Telenet Japan não estava numa boa fase e meio que estava parando de fazer jogos para focar em pachinko… será que não teríamos um Cosmic Fantasy 5 caso a situação fosse outra? Talvez nunca iremos saber.
UMA NOVA MISSÃO
Estamos de volta aos tempos atuais na série, nada de contar histórias que aconteceram antes por aqui. E também temos Yuu retornando como protagonista.
Depois de uma grande introdução bastante interativa, nossa nova missão como membro da CSC é um pouco diferente do habitual.
| A princesa sequestrada... ou já é a Saya disfarçada? Agora não sei... |
A princesa Saria do planeta Kazarin foi sequestrada, porém o acontecido não pode se tornar público. Nossa missão é de resgate, porém, não podemos deixar nossa identidade como membros da CSC ser exposta.
Yuu e Saya partem para Kazarin. Enquanto Yuu vai investigar e tentar resgatar a princesa, Saya terá uma missão um pouco diferente, ela irá se disfarçar como a princesa raptada já que ambas são convenientemente parecidas.
O elenco do jogo não é pequeno, temos 10 personagens jogáveis, embora no máximo 4 estejam disponíveis, e rola aquela rotação de acordo com o momento da história. Eu geralmente só falaria dos mais importantes, muito para evitar spoilers, mas aqui vou fazer um pouco diferente. Vou dizer quem são todos os personagens, porém os que podem impactar na história vai ser com menos spoilers. Vou listar na ordem de aparição de cada um e não vou falar muito sobre como é em termos de gameplay, pra deixar o mínimo possível de spoilers.
Por conta da missão exigir que ele se disfarce, ele passa parte do jogo usando o nome do pai dele, e indiferente disso ele acaba fazendo muito mais em Kazarin do que simplesmente resgatar a princesa.
Elenco até interessante, fora um bom tanto de NPCs importantes, mas a história aqui é um tanto besta no começo e parece até sem nexo. Muita coisa aqui nem parece coincidir com o trailer que colocaram no final do Cosmic Fantasy 3. Mas acredite, tudo vai se esclarecer aos poucos tanto nesse jogo quanto na parte 2.
Um ponto legal desse jogo é que temos um trabalho melhor no desenvolvimento de personagens do que nos jogos anteriores. Mesmo lidando com personagens já estabelecidos desde o início da franquia, o trabalho foi melhor aqui. Cosmic Fantasy nunca foi necessariamente ruim com história e personagens, o problema maior sempre foi na jogabilidade… e é justamente dela que vamos falar em seguida.
POLIMENTO E NOVAS IDEIAS
A partir de agora vamos chamar o jogo de Cosmic Fantasy 4 parte 1. E vendo os controles dele já deu pra notar que não mudamos tanta coisa do padrão PC Engine.
| Tá tudo sob controle |
- Direcionais são para movimento de personagens no campo e do cursor nos menus e combates.
- O botão I é o botão de ação como sempre e o botão para confirmar as coisas nos menus.
- O botão II você usa para cancelar as coisas.
- O RUN não está restrito à tela de título aqui. Ele abre o menu de campo e pula diálogos falados e cenas animadas.
- O SELECT sim tirou folga, não faz nada.
OBS: Já sabe né? Tá lendo meus reviews? Então não adianta querer usar o controle de seis botões, tem que trocar o modo ou ajustar no emulador. Senão vai ter problemas.
Ao invés de simplesmente fazer uma cena em anime para introduzir o jogador, os produtores aqui decidiram ser diferentes. Toda a parte introdutória do jogo é feita como uma espécie de Adventure Game. Já jogou Snatcher da Konami? Se sim você já tem uma ideia de como as coisas vão funcionar aqui.
Aqui teremos o jogo como se estivéssemos na visão do Yuu, com uma janela que mostra a ação por meio de cenários e quando disponível os personagens com quem podemos interagir. Abaixo teremos uma lista de comandos e uma janela de texto com os diálogos e nos momentos oportunos, algumas opções de objetos, pessoas, lugares e etc que podemos selecionar para dar continuidade. As opções disponíveis são:
LOOK: Pura e simplesmente olhar para o lugar ou pessoa que está na sua frente. Sempre vai render algum pensamento peculiar do Yuu.
TALK: Quando tem alguém no local em que estamos podemos conversar com a pessoa. Muitas vezes conversar mais de uma vez é o segredo para avançar.
SEARCH: Podemos revistar objetos, lugares e até pessoas. Tudo em nome do progresso da história e do fanservice… inclusive descobri que o Yuu tem visão de raio X.
MOVE: Quando não há mais o que fazer em um local é porque precisamos ir para outro. Essa opção se encarrega disso.
? : Essa última opção é variada. Ela fica a maior parte do tempo como uma interrogação, mas em momentos específicos ela muda para algo necessário para o andamento da história.
Eu não sou o maior fã desse tipo de jogo, então meio que não gostei disso no início do jogo. Mas o maior problema aqui foi o uso disso somente para a introdução e nunca mais. Poderiam então ter feito algo como em Mystic Ark, incrementando o sistema de jogos assim para elementos dentro do jogo, mesmo que fosse só em poucos momentos. Seria mais interessante.
Ainda bem que depois de toda essa introdução vamos para o jogo mesmo, no caso o RPG. O jogo passou por mudanças em relação ao anterior, mas mantém a fórmula básica de todo bom e velho RPG.
Devolveram o mapa ao invés de dividir o jogo em grandes áreas como foi em Cosmic Fantasy 3, talvez tenham recebido reclamações disso, porque era ruim de explorar.
| Bom... sabemos que RPG é tudo igual... ou não é? |
Ainda vamos salvar nos INN e pagar caro demais para dormir, sério, Kazarin é um planeta turístico, mas não precisava levar isso ao pé da letra kkkkkkkkkkkkkkkkkk
As lojas deram outro salto para a melhoria também, agora além de amplas informações nos itens, se apertar RUN podemos ver atributos que são modificados com as peças de equipamento. Também podemos comprar itens em quantidade, o que é bem bom considerando que o lojista requer muita confirmação para cada transação… Quer comprar? Sim… tem certeza? Kkkkkkkkkk
Outro ponto interessante do jogo é que conversar mais de uma vez com os NPCs pode te dar mais informações ou até render itens. Inclusive sempre que retornar à uma cidade, converse novamente com o povo, sempre podemos ganhar recompensas.
O menu de campo também passou por muitas mudanças, agora ele traz não só mais informações úteis como também tem uma vasta quantidade de opções úteis. Até digo que Cosmic Fantasy finalmente está à altura de grandes RPGs neste ponto, uma pena que foi só no final da franquia… mas vamos ver o que tem lá.
O layout do menu está muito bem elaborado, no lado esquerdo teremos a janela com as opções que podemos usar e logo abaixo um indicador de qual ato estamos. A história do jogo é dividida em atos, a cada evento importante que completamos o número aumenta. São 10 atos no total. Abaixo temos o contador de dinheiro, o gold como tem sido desde o início da franquia.
No lado direito temos aquele resumo dos personagens, com nome, LV, HP e MP, um indicador em caso de status negativos e um sprite do personagem acompanha o resumo.
As opções disponíveis no menu são poucas, assim como eram no jogo anterior, porém elas são o necessário, sem frescura e sem firula.
ITEM: A primeira opção é usar os itens que temos. Aqui veremos os itens de cura, os itens que só são usados em combate, itens de quest entre outros. Temos 5 páginas com 6 entradas o que dá um total de 30 espaços, porém os itens são cumulativos em até 9 unidades, e ao atingir essa quantidade uma nova entrada será feita. Algo parecido com o que o Tenshi no Uta do SNES fez.
Itens com o nome em vermelho não podem ser usados no campo ou são itens de quest que tem o uso automático. Na parte inferior da lista temos um ícone de uma lixeira que serve para descartar itens e um ícone de duas setas em rotação que organiza os itens em uma ordem pré definida e junta de 9 em 9 os itens que estiverem espalhados.
E também temos explicações das funções que cada item tem. Aquela explicação vaga é verdade, mas ao menos sabemos o que recupera HP, o que cura algum status, o que é item para ataque em combate e etc.
MAGIC: Aqui você pode usar as magias que são usadas em campo e também pode ver as magias que o seu personagem tem, o diferencial é que as magias com nome em vermelho são as que não podem ser usadas.
O jogo abandonou o sistema de magias que evoluem que existe desde o primeiro jogo, mantendo uma ou duas magias de um determinado tipo com nomes parecidos, sejam elas magias ou habilidades psíquicas. Porém o efeito da magia aumenta quando o personagem fica mais forte.
Agora podemos usar magias em mais de um personagem no mesmo estilo de Final Fantasy, se apertar para os lados no direcional o cursor irá marcar todo mundo e o efeito irá atingir toda a party. E as explicações das magias se fazem presentes também, embora meio vagas.
STATUS: A tela que exibe o resumo dos personagens nos mostra o seguinte.
Do lado esquerdo temos a foto do personagem, o nome dele e abaixo uma lista com os equipamentos que o personagem está usando.
Do lado direito temos.
- HP
- MP
- Força, que é o ataque sem equipamentos
- Resistência, a defesa sem equipamentos
- Velocidade
- Inteligência, é o atributo diretamente relacionado à força que as magias terão.
- Sorte, aqui influencia vários pontos desde o golpe crítico à chances de fuga em um combate.
- Ataque, que é a força física total do personagem, somado a força com o quanto a arma equipada acrescenta.
- Defesa, a mesma regra do ataque, só que a soma é da resistência com as armaduras equipadas.
- Defesa mágica, aqui é o quão resistente seu personagem é aos ataques mágicos inimigos.
- EXP
- Quantidade de EXP necessária para o próximo LV.
O LV máximo do jogo é 50, e dessa vez ele não vai travar quando você chegar nele. E procure aumentar bem a defesa mágica dos seus personagens, alguns inimigos podem literalmente te dar um game over com uma magia caso sua defesa seja baixa.
EQUIP: O sistema de equipamentos do jogo mudou de novo, descartaram o sistema de 3 armas do Cosmic Fantasy 3 para voltar a usar um sistema mais tradicional porém com algumas variações permitidas. A tela de equipamento é parecida com a de itens, inclusive podemos ter até 30 espaços ocupados e acumular as peças de equipamento em até 9 igual fazemos nos itens. Temos opções para descartar, organizar e remover uma peça de equipamento do personagem e até uma pequena explicação sobre o equipamento. Quando estamos equipando um personagem vemos a lista do que está equipado nele e durante a alteração podemos ver quais atributos irão mudar ao trocar um equipamento. Os nomes em verde são equipamentos que não podem ser usados pelo personagem.
Por padrão podemos equipar.
- Uma arma cuja variedade é grande, temos tradicionais como facas, espadas, lanças, cajados, arcos entre outras e até coisas mais futuristas como sabres de luz e canhões laser.
- Um escudo ou proteção para o braço.
- Uma proteção para a cabeça.
- Uma armadura.
- Um acessório. Aqui temos também uma variedade grande de coisas que nos ajudam. Podemos aumentar a força de um elemento, podemos adicionar resistência à envenenamento, até mesmo impedir ataques que causem morte instantânea.
Além do padrão de equipar um personagem, temos algumas variedades para se fazer com as armas.
- Algumas armas podem ser equipadas no lugar do escudo, com isso teremos um ataque duplo e mais dano causado.
- Armas como bumerangues e metralhadoras atacam todos os inimigos de uma vez, porém com dano reduzido.
- Várias armas maiores ocupam duas mãos, com isso não podemos equipar um escudo.
- Algumas armas possuem propriedades especiais e irão realizar um ataque especial depois do ataque físico. Esses ataques variam muito nas chances de ocorrer e podem até atingir todos os inimigos.
Eu gostava do sistema de equipamentos do Cosmic Fantasy 3, era legal poder equipar mais de uma arma e ter várias opções do que fazer com elas. Mas o sistema aqui não é ruim não. Eu pessoalmente gosto muito de usar ataque duplo equipando duas armas por exemplo.
OTHER: Dentro dessa opção temos alguns itens que podemos ajustar para melhorar a experiência de gameplay. São coisas simples porém bem úteis.
- Order: Aqui você pode ordenar seus personagens na ordem que quiser. O jogo entende que os personagens nas posições 3 e 4 estão no fundo da formação e tendem a receber menos ataques inimigos.
- Message Speed: Ajusta a velocidade do texto nos diálogos no campo. Não é interessante ver o jogo escrevendo texto devagar, então só podemos concluir que rápido é o melhor.
- Walk Speed: Também podemos definir a velocidade que iremos andar pelo campo. Lento é o puro suco do masoquismo, normal é até ok, rápido é ótimo.
E com isso finalizo o menu de campo. O melhor até então na franquia. É simples, funcional, fácil de usar e ainda tem um design agradável. É triste que precisaram de 4 jogos para chegar em algo que a concorrência já fazia por padrão. E por falar em concorrência, vamos dar uma olhada nos combates?
Os combates mudaram de novo. Dessa vez alguém andou olhando o que a concorrência andou fazendo. Mas não copiaram totalmente, ao menos criaram algo interessante em cima da ideia.
O layout da tela de combate, que segue em primeira pessoa, é bem parecido com o que já tínhamos nos jogos anteriores. Na parte superior o resumo dos personagens, no meio a tela de ação e em baixo a janela com comandos e nome dos inimigos e durante a ação, a janela de contexto.
O sistema aqui ainda é por turnos, porém não mais de forma ordenada, isso porque a provável inspiração dos produtores foi Final Fantasy no Super Nintendo. Agora temos uma barra de tempo que nos permite agir somente quando ela está cheia, a barra obviamente irá se encher mais rápido quanto maior o atributo velocidade do personagem. Enquanto a barra se enche os inimigos poderão agir, e o combate só parará de fato quando estivemos com alguma seleção de comandos ativa. Mais ou menos como o modo WAIT dos combates em Final Fantasy funciona. Só que a inspiração em Final Fantasy meio que para por aí. O jogo adaptou a ideia das barras de tempo em algo um pouco diferente, com mecânicas próprias. Eles até batizaram o sistema deles de AIR - Advance In Real-time.
Diferente de FF que os comandos ficam disponíveis assim que uma barra se enche, aqui temos um cursor abaixo dos nomes dos personagens e para exibir os comandos do personagem temos que navegar até o personagem com a barra cheia e pressionar o botão I. Só assim teremos os comandos dos personagens. Isso é um pouco chato, porque os inimigos não dão folga, enquanto você movimenta o cursor eles já te deram algumas boas pancadas.
| Opções para fugir ou automatizar os combates |
Indiferente das barras cheias ou não, se você pressionar o botão II terá duas opções. A primeira decide se vamos lutar manualmente ou colocar a party no modo automático. No automático seus personagens irão aguardar a barra se encher e usar o ataque físico padrão até o final do combate. Se quiser sair desse modo é só apertar o botão II e mudar a opção de volta para lutar manualmente. A segunda opção é para fugir dos combates, aqui é onde o atributo sorte atua, e como eu sou azarado, mal consegui fugir das lutas kkkkkkkkkkkkkkkkkk. O pior é que se não conseguir fugir, todas as barras de ação dos personagens irão voltar ao zero.
Vamos então assumir que você vai lutar sem deixar a CPU controlar os personagens e nem mesmo vai se arriscar a fugir. Você pode simplesmente apertar o I com o cursor em um personagem que esteja com a barra amarela cheia e já terá comandos de ação com o personagem, ou então esperar mais um pouco e a barra irá se encher novamente só que na cor verde e isso vai lhe dar alguns benefícios extras. Em todo o caso vamos ver quais comandos podem ser usados pelos personagens.
ATTACK: A opção mais básica de todas, você ataca o inimigo com a arma equipada para causar dano físico. Dano crítico existe aqui e é absurdo de forte, dependendo do inimigo e da arma que estamos usando, dá pra mandar até 3 ou mais vezes o dano padrão.
Com a barra verde cheia podemos dar um ataque ainda mais forte e ainda tem o bônus de precisão maior, garantindo que o ataque não irá falhar.
MAGIC: Eu já tinha mencionado lá em cima enquanto falava do menu de campo que as magias tinham passado por algumas mudanças em relação aos jogos anteriores. Em combate algumas regras também se aplicam, mas a forma de usar magia segue sendo igual a qualquer outro Cosmic Fantasy no geral.
Algumas magias têm o nome em verde, essas só podem ser usadas com a barra verde cheia. Podemos dizer que são as magias mais fortes dos personagens, por isso precisam de mais tempo.
Usar uma magia comum com a barra verde cheia tem efeitos melhorados, da mesma forma que com o ataque físico. Uma magia causará mais dano, ou então recuperará mais HP e também terá sua eficácia aumentada em caso de magias que modificam atributos ou causam status negativos.
No caso do Yuu algumas magias que tem nome em amarelo só serão utilizadas em momentos específicos da história pois dependem dos poderes psíquicos dele no máximo.
ITEM: Aqui você usa os itens que você tem durante os combates. Não há muito o que falar sobre usar itens comuns de cura ou que fazem algo em combate.
Porém temos a possibilidade de usar equipamentos como itens, estes serão separados em um submenu dentro da opção de itens e podemos usar tanto os equipamentos em uso pelo personagem quanto os que estão guardados. Existem vários equipamentos que podem ser usados e muitos são de grande ajuda.
No caso dos itens, não há diferença entre usar com a barra verde cheia ou não.
DEFEND: Aqui podemos nos defender de ataques inimigos e também podemos proteger um aliado, basta escolher outro personagem no lugar do que vai se defender.
Com a barra verde a defesa muda para modo de contra ataque, além de recebermos menos danos ainda podemos contra atacar o adversário.
SPECIAL: Alguns personagens possuem uma habilidade especial que você pode usar para causar algum efeito no oponente ou no seu personagem. Yuu, Saya, Nyan e Monmo são os únicos que possuem uma habilidade.
As habilidades nem sempre funcionam, o atributo sorte deve ter alguma influência aqui também.
O uso da habilidade não muda com a barra verde cheia e usar uma habilidade fará seu personagem ficar um tempo parado, fazendo a barra de espera dele demorar um pouco mais para voltar a encher.
Os comandos em combate são esses, mas o jogo tem um pouco mais à oferecer. Os ataques combinados de Cosmic Fantasy 3 voltaram aqui, e o jogo ainda adicionou uma novidade que são as magias combinadas. Em ambos os casos é o mesmo esquema, dois personagens se juntam para atacar um único alvo causando dano maior.
Para usar tanto ataques quanto magias em combinação é necessário que ambos os personagens tenham a barra verde cheia e não podem ser interrompidos pelo inimigo. No caso da magia só funciona se os personagens utilizarem a mesma magia.
As regras para o término dos combates segue sendo a mesma. Se o HP dos inimigos acabar eles caem e você vence. Ganha EXP e Gold, talvez um item de brinde. LV UP garante HP e MP recuperados. Se todos os personagens seus caírem em combate é game over e você volta automaticamente para o último save que você fez.
O desafio do jogo é mediano pra alto. No começo estamos fracos e enfrentar vários inimigos de uma vez é um pouco chato, mas é só pegar uns LV e comprar uns equipamentos melhores que fica mais fácil… o problema é que com novos membros na party entra outro ponto chato, eles entram em LV muito baixo, aí acaba que temos que repetir o processo com eles fazendo o jogo ficar um pouco lento na progressão. O encounter rate novamente é estúpido, não tanto quanto o de Cosmic Fantasy 3, mas ainda é pesado. As dungeons do jogo são meio complexas e o encounter rate faz tudo ficar bem arrastado. Enfrentamos tantas batalhas que eu consegui chegar no LV 50 com os personagens principais no final do jogo. Ao menos não travou… Kkkkkkkkkkkkk
O jogo não é muito longo, apesar de ser arrastado com o encounter rate a história acaba até rápido.
Por falar em travar, eu encontrei um único bug no jogo. Durante o incêndio em Kazarin, uma casa perto do cemitério tem um ponto onde podemos atravessar a parede, fazer isso corrompe o jogo e um tempo depois um NPC que deveria aparecer não aparece, deixando o jogo em soft lock.
Em geral a experiência com a jogabilidade foi boa aqui. Tirando ali o encounter rate que poderia ser um pouco menos agressivo, teríamos um excelente RPG. Uma pena que a franquia já estava no fim quando finalmente começaram a fazer ela se parecer com um bom RPG.
MAS E OS GRÁFICOS?
Visualmente o jogo ficou muito bom também. Cosmic Fantasy 3 não era feio, mas os quase 2 anos de distância evidenciam bastante como o jogo evoluiu.
O campo está bom, os sprites de personagens lembram bastante os de Cosmic Fantasy 3 com melhorias, temos bastante quadros de animação diferentes e vários NPCs legais mesmo sem ter importância real na história. Monstros é que deram uma reduzida na aparição dos sprites por aqui, embora ainda tenhamos alguns. Sprites gigantes também deram uma diminuída no campo.
O mapa é relativamente simples porém não é feio, não há muita variedade real de terreno porque exploramos basicamente um continente de Kazarin, mas ao menos dá pra diferenciar elementos. Não fazemos uso de veículos no jogo então não tem muito o que ver por aqui.
| Interior das casas |
Nas cidades temos um visual melhor, com bastante detalhes tanto dentro quanto fora das casas. Também temos o castelo de Kazarin que é bem detalhado. O porto espacial que mostra um lado bem futurista, um tremendo contraste com a maior parte do planeta, embora não seja um lugar com ambientação medieval como era Norg no primeiro jogo.
O destaque do jogo eu diria que vai para as dungeons. Cada uma tem um visual diferente da outra, isso porque elas meio que tem uma temática envolvida. O nível de detalhes só aumenta de acordo com o avanço do jogo, tal qual cada dungeon fica mais complexa.
Nos combates também tivemos melhorias visuais. Ainda temos combates em primeira pessoa e o pouco que vemos dos nossos personagens em combates se resume aos retratos que são usados para representar as ações de ataque ou dano recebido que sobrepõem as informações do personagem.
Os monstros aqui tem uma variedade relativamente baixa, rola muito palette swap com base em elementos, por exemplo. Alguns poucos monstros voltaram de Cosmic Fantasy 3, em geral as máquinas. Por conta do layout dos combates não rola muito sprite grande de fato por aqui, mas ao menos não são criaturas sem detalhes.
| Temos um bom design de monstros, pena que ninguém se mexe |
Em termos de movimentação, os monstros comuns seguem estáticos enquanto os chefes são bem mais animados, mesmo quando não estão atacando alguns chefes têm movimentação. E por falar em movimentação, as animações são ok. Temos coisas bem simples para os ataques físicos mas ao menos as magias tem efeitos razoavelmente bons, só são um pouco genéricos. Ainda temos algumas animações cobrindo a tela mas são apenas o efeito base multiplicado com alguns elementos a mais. Eu ainda digo que são melhores que os de Cosmic Fantasy 3.
No começo tínhamos cenários e layouts diferentes… depois não tivemos cenários e o quadrado preto escroto… depois fomos de fundo preto em tudo… agora em Cosmic Fantasy 4 os cenários de combate estão de volta. No mapa eles variam de acordo com o terreno que estamos pisando quando o combate se inicia, temos uma variedade legal. Quando nas dungeons o tema fica bem mais amplo, além claro de se basear no tema do lugar, os cenários têm um elemento criativo, por exemplo, se na sala que estamos tiver alguns caixotes, o cenário do combate vai colocar alguns caixotes ao fundo, se tem um buraco na parede, a mesma coisa pode aparecer no cenário em combate. É como se o jogo tivesse mapeado a sala antes dele gerar o cenário de combate, o chão ou as paredes irão mudar quando necessário. Eu achei isso bem legal, é bem difícil ver jogos 2D fazerem tanta mudança assim num elemento.
E as cenas animadas seguem firmes. É padrão do PC Engine, é padrão na franquia Cosmic Fantasy também, não tem como não ter. E o jogo meio que não economizou nesse tipo de conteúdo, tem pra todo lado e de todo jeito.
| O modo aventura é bonito... e tem fanservice... |
Comecemos então falando do visual do modo aventura ali do começo do jogo. Não tem como não ver aquilo como uma cena animada interativa. Temos vários personagens bem feitos em tamanho grande, temos cenários detalhados, várias cenas estáticas e obviamente alguns clipes animados. Não é incomum jogos com essa temática terem visual caprichado, aqui mesmo sendo só um pedaço do jogo, não poderia ser diferente.
| Saya com ciumes da Milly conversando com o Yuu |
As cenas animadas mesmo estão obviamente ainda melhores na qualidade, mais coloridas, mais detalhadas e muito mais animadas. Deram um passo à frente no que já era bom em Cosmic Fantasy 3. Até o fanservice deu um salto aqui… rapaz, os caras foram um pouco além nesse jogo.
Cenas estáticas durante o jogo são bem raras, mas temos retratos dos personagens durante os diálogos importantes e tem à cena do Yuu despertando os poderes que é amplamente reaproveitada.
Em gráficos o jogo está realmente muito bonito, melhor que seus antecessores obviamente, mas também dá pra dizer com segurança que ele é um dos RPGs mais bonitos do PC Engine. E ainda digo mais, ele bate de frente com vários bons RPGs do SNES nos gráficos heim.
E O SOM?
| Não é a OST do jogo mas tem uma música do jogo nele.. quer ouvir ele? Clica AQUI |
O jogo conta com uma trilha sonora bem modesta no tamanho eu diria. Temos a impressão de que falta variedade nas músicas. Mas o que falta em quantidade sobra em qualidade, o jogo conta com uma excelente trilha sonora feita pela dupla Motoi Sakuraba e Shinji Tamura. Os caras tem bagagem de sobra quando o assunto é trilha sonora e você nota isso aqui.
Quer ouvir a OST do jogo? Clica NESSE LINK
Os efeitos sonoros seguem a fórmula do Cosmic Fantasy 3 de usar samples digitais, o que lá era um pouco incômodo pelo pequeno load. Ao que parece aqui deram uma boa optimizada nisso, até porque o jogo no geral é mais fluido que o anterior. Especialmente nos combates.
Nas vozes o elenco meio que se mantém em quem volta do jogo anterior e não temos economia nos diálogos falados mesmo fora das cenas animadas. Não há do que reclamar quanto a qualidade também.
- Yuu segue sendo a Minami Takayama, desde o primeiro jogo, inclusive cantando Cosmic Fantasy, a música tema do jogo que voltou do jogo anterior para a abertura aqui. Eu já disse algumas vezes, mas ela é quem dá voz pro Axl nos jogos da franquia Rockman X, além de outros personagens em jogos como a Pai-chan de Virtua Fighter. Em animes ela é a voz do Conan Edogawa o protagonista do anime Meitantei Conan, também é ela dando voz para a Nabiki Tendo a melhor das irmãs em Ranma.
- Rusty ganhou voz graças à lenda Hirotaka Suzuoki que era a voz do Daigo no jogo anterior. Nunca se esqueça, ele foi o Bright Noa e o Shiryu… sem mais…
- Pallas é interpretado pelo Tessho Genda, outro cara incrível. Você sabe que um cara é bruto na dublagem quando ele dá voz para o Batman e para o Kratos no Japão. Ele também foi o Takeda Shingen em Sengoku Basara. Nos animes ele tem uma carreira gigantesca, sempre lembro dele pelo Umibouzu em City Hunter, mas ele também é a voz original do Aldebaran de Touro em Saint Seiya e do Toguro em Yu Yu Hakusho.
- Milly tem a voz da Yuko Minaguchi, já falamos dela lá em Cosmic Fantasy 2 já que ela era a Larla. Lembrando, ela é a Videl e a Pan em Dragon Ball.
- Saya e Monmo seguem com a Yumi Takada. Também já disse que ela é a voz original da Aeka em Tenchi Muyo, né?
- O velho Battons tem a voz do Koichi Kitamura, aquele cara que você já ouviu em vários lugares mas nem sabia que era ele, já que tudo que eu vi que ele está no elenco são papéis menores. Ele dublou o Tio Patinhas do Ducktales na versão japonesa.
- Nyan segue com a Sanae Miyuki desde o jogo anterior. É a voz original da Botan em Yu Yu Hakusho.
- O príncipe Milan e a princesa Saria tem a voz feita pela Minami Takayama e pela Yumi Takada, ou seja, Yuu e Saya.
Além dos personagens principais temos outros personagens que falam no jogo, aí temos vozes de Toshihiko Seki, Hiromi Tsuru, Yoko Matsuoka, Rei Sakuma, Ryuzaburou Ohtomo entre outros.
Dá pra dizer que Cosmic Fantasy 4 parte 1 fez bem com a trilha sonora. É a melhor da franquia. Além disso, no geral a qualidade da parte sonora não é ruim, com um CD seria absurdo ter som ruim… se bem que o primeiro Cosmic Fantasy era pobre nesse departamento…
OS SEGREDOS
Seguindo com o método de Cosmic Fantasy 3, aqui podemos acessar alguns segredos na hora de inserir o nome na hora de começar um novo jogo. Então garanta um slot de save vazio.
DEBUG MENU: Digite ニャンのしっぽ (Nyan no shippo) no lugar do seu nome ao começar um novo jogo e você terá acesso ao menu de debug. Aqui você poderá ver as cenas animadas, ouvir as músicas e as vozes e até os efeitos sonoros.
MINIGAME: O minigame do Nyan que jogamos durante o jogo para ganhar recompensas pode ser jogado fora do jogo também. É só digitar ニャンたたき (Nyan tataki) no lugar do seu nome para acessar.
MENSAGEM DO SYSCARD: Como o jogo só funciona com um System Card V3, existe uma mensagem para quem tenta jogar com versões anteriores. Para ver essa mensagem digite VER1 no lugar do seu nome.
PULE O MODO AVENTURA: Não tem interesse na introdução em modo aventura? Você pode pular ela com um código. É só digitar LASER no lugar do seu nome e o jogo começa direto no RPG.
Sobre o conteúdo perdido no disco, esse é mais um que ou não tem nada escondido, ou ninguém procurou. Eu não sei procurar então, não conte comigo para esse tipo de coisa.
RECEPÇÃO E LEGADO
Agora sim, depois de anos com a franquia sendo feita pela metade, mais conteúdo e menos jogo, podemos dizer que a galera da Telenet Japan mandou bem com Cosmic Fantasy. Digo isso porque esse jogo sim recebeu avaliações realmente positivas.
Não é estranho encontrar boas opiniões sobre ele na internet e tanto ele quanto a parte 2 até aparece em alguns top 10 de RPGs do PC Engine. Pra mim o jogo é bom, precisa de um polimento em alguns pontos, especialmente o encounter rate que ainda está nos anos 80, mas no geral eu meio que concordo com avaliações positivas que o jogo recebeu.
Apesar disso eu não estou procurando informações sobre preços de uma cópia, como eu disse em outros artigos, eu sigo não achando que valha a pena investir em Cosmic Fantasy. Um jogo não compensa a imensa massa de desgosto que a franquia proporciona.
Agora não temos mais um legado para a franquia. Só falta um jogo que é a parte 2 desse e que encerra a história de vez. Mas isso não significa que a franquia ficou ali.
Pouco tempo antes, um mangá baseado nos jogos começou a ser publicado na PC Engine Fan Magazine, com 7 capítulos no total. Ao que parece ele traz algumas histórias originais. Dentro desse jogo rola um pequeno jabá do mangá feito pelo Nyan.
Além do mangá, pouco tempo depois um OVA foi lançado em VHS e Laserdisc, batizado de Cosmic Fantasy: Ginga Mehyou no Wana a história acontece depois dos eventos do terceiro jogo. Apenas um episódio de pouco mais de 40 minutos foi produzido.
O jogo original do PC Engine ficou no Japão assim como a maior parte da franquia, aparentemente não há fãs interessados em traduzir o jogo. Mas desde 2023 o jogo está disponível de forma oficial no Nintendo Switch graças a Edia que tem focado em trazer vários jogos da finada Telenet Japan para as plataformas modernas. Cosmic Fantasy Collection 2 traz numa única mídia Cosmic Fantasy 3 e ambas as partes de Cosmic Fantasy 4. Em 2025 o pessoal da Limited Run Games trouxe localizações (feitas com IA heim) das coletâneas de Cosmic Fantasy, inclusive é possível conseguir as versões localizadas até mesmo em mídia física.
ALGUMA CURIOSIDADE?
- Apesar de não ter sido desenvolvido pela Telenet Japan diretamente e sim pela Open Sesame, vários integrantes do Wolf Team trabalharam no jogo.
- Ainda mais absurdo é que a maior parte dos envolvidos não continuou com a Open Sesame, Namco Tales Studio ou tri-Ace.
- Alguns integrantes nem mesmo seguiram carreira com produção de jogos depois de lançar esse jogo (parte 2 inclusa).
Meio que é isso, não tem mais nada novo aqui, só o final da franquia mesmo…
Temos uma história meio fraca mas não dá para julgar metade dela, afinal são dois jogos. A jogabilidade melhorou bastante, faltou um polimento em um ou outro canto mas a experiência é tão boa quanto em muitos RPGs famosos. Também temos gráficos e sons de qualidade e praticamente sem bugs.
É triste ver que quando finalmente estavam fazendo algo direito era o fim… não só da franquia, da Telenet Japan mesmo.
Finalizamos a metade de Cosmic Fantasy 4,mas a jornada ainda tem caminho para percorrer. Vamos ter a parte 2 do Cosmic Fantasy 4 e o Cosmic Fantasy Stories do Mega CD que é o remake dos dois primeiros jogos.
O próximo review não será desvio, vamos direto para Cosmic Fantasy 4 parte 2 que eu já estou finalizando e não vá pensando que é o mesmo jogo copiado não, tem diferenças…










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